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EDUCAÇÃO

Enem 2026: veja 10 músicas de forró que podem ajudar na redação

Canções de Luiz Gonzaga, Alceu Valença e outros nomes da música nordestina permitem discutir diversos temas que podem auxiliar os estudantes.

Publicado em 29/10/2026 às 13:30


					Enem 2026: veja 10 músicas de forró que podem ajudar na redação
Foto/Reprodução. Silvio Osias

O forró pode ser um aliado dos estudantes que se preparam para a redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Com músicas que retratam a realidade do sertão, as dificuldades enfrentadas pela população rural e as tradições nordestinas, o gênero oferece referências culturais que podem ajudar os candidatos a desenvolver argumentos sobre diferentes problemas da sociedade brasileira.

Pensando nisso, o Jornal da Paraíba reuniu 10 músicas de forró que podem ser utilizadas como repertório sociocultural na redação. As canções abordam questões como migração, desigualdade social, preservação ambiental, trabalho e identidade cultural, permitindo estabelecer conexões com possíveis temas de interesse social.

No Enem, a Competência 2 avalia a compreensão da proposta, o desenvolvimento do tema, o domínio da estrutura dissertativo-argumentativa e a mobilização produtiva de conhecimentos de diferentes áreas. Por isso, não basta citar uma música: é necessário contextualizar a mensagem e explicar como ela contribui para a argumentação.

10 músicas de forró para usar como repertório na redação do Enem

1. “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

''Que braseiro, que fornaia'

Nenhum pé de prantação'

Por farta' d'água perdi meu gado

Morreu de sede meu alazão''

O trecho retrata uma das consequências da seca para quem depende da terra e da criação de animais para sobreviver. A canção apresenta a relação entre as condições ambientais e as dificuldades enfrentadas por famílias do sertão.

A música pode ser utilizada em temas sobre migração, desigualdade regional, segurança hídrica e vulnerabilidade social. Na redação, o estudante pode argumentar que a escassez de água agrava as dificuldades econômicas de determinadas comunidades, especialmente quando há falta de infraestrutura e de políticas públicas adequadas.

Para aprofundar a discussão, é possível relacionar a referência a dados sobre acesso à água, condições de vida no semiárido e medidas de convivência com a seca.

2. “A Triste Partida”, de Patativa do Assaré, interpretada por Luiz Gonzaga

“Nós vamos a São Paulo

Que a coisa tá feia

Por terras alheia

Nós vamos vagar

Meu Deus, meu Deus”

A composição apresenta a trajetória de uma família que enfrenta as consequências da estiagem e precisa deixar sua terra em busca de melhores condições de sobrevivência. A narrativa evidencia os impactos sociais e emocionais da migração.

A canção pode ser utilizada em temas sobre êxodo rural, pobreza, migração interna e desigualdade de oportunidades. O candidato pode relacionar a experiência retratada à concentração de empregos e serviços em determinadas regiões e às dificuldades de permanência de famílias em áreas rurais.

A análise também permite discutir como a migração nem sempre representa uma escolha livre, podendo ser motivada pela falta de condições dignas de vida no local de origem.

3. “Caboclo Sonhador”, de Maciel Melo, interpretada por Flávio José

“Sou devoto de Padim Ciço Romão

Sou tiete do nosso Rei do Cangaço

E meu regaço culminado em pensamentos

Em meu rebento sedento eu quero chegar”

A canção valoriza a figura do cantador e a tradição de contar histórias por meio dos versos. Ao evocar lembranças, personagens e referências do sertão, a composição apresenta a poesia como parte da identidade de quem canta e de sua comunidade.

Pode ser utilizada em temas sobre literatura de cordel, poesia popular, preservação da memória e democratização do acesso à cultura. A referência ajuda a argumentar que a produção cultural nordestina não se limita ao entretenimento: ela também registra experiências, transmite conhecimentos e expressa visões de mundo.

A música ainda pode ser relacionada à necessidade de ampliar o reconhecimento de escritores, repentistas e poetas populares nos espaços de educação e cultura.

4. “Mulher Rendeira”, na versão popularizada por Zé do Norte

“Lampião desceu a serra

Deu um baile em Cajazeira

Botou as moças donzelas

Pra cantar mulher rendera

Olê, mulher rendeira”

Conhecida em diferentes versões, “Mulher Rendeira” é frequentemente associada ao imaginário do cangaço e à figura de Lampião. No entanto, a origem da canção é controversa: não há comprovação definitiva de que Lampião tenha escrito a letra. A versão que ficou conhecida nacionalmente foi organizada por Zé do Norte, músico paraibano que a gravou para o filme O Cangaceiro, de 1953.

A música pode ajudar em discussões sobre memória histórica, representação do cangaço, cultura popular e construção de personagens na história brasileira. Também permite analisar como relatos, filmes e canções contribuem para formar o imaginário coletivo sobre figuras históricas.

É importante, porém, diferenciar a representação cultural de uma comprovação histórica. A associação entre a música e Lampião pode ser discutida sem afirmar que ele foi seu compositor.

5. "Paraíba Joia Rara”, de Ton Oliveira

“Eu sou da Paraíba, é meu esse lugar

A cara desse povo tem a minha cara”

Composta pelo paraibano Ton Oliveira, a música exalta as paisagens, a história e a identidade da Paraíba. A obra se tornou uma referência de orgulho regional e foi reconhecida como patrimônio imaterial do estado em 2017.

A canção pode ser relacionada a temas como identidade cultural, pertencimento, patrimônio imaterial e valorização das culturas regionais. Também ajuda a discutir a importância de preservar manifestações artísticas que fortalecem os vínculos entre as pessoas e seus territórios.

Em uma proposta sobre diversidade cultural, o estudante pode argumentar que valorizar a própria origem não significa rejeitar outras culturas, mas reconhecer que a identidade brasileira é formada por diferentes histórias, sotaques, tradições e expressões artísticas.

6. “De Volta pro Aconchego”, de Nando Cordel e Dominguinhos, interpretada por Elba Ramalho

“Estou de volta pro meu aconchego

Trazendo na mala bastante saudade

Querendo um sorriso sincero, um abraço,

Para aliviar o meu cansaço

E toda essa minha vontade"

Na interpretação de Elba Ramalho, a canção expressa a alegria de regressar a um lugar associado ao afeto, à familiaridade e ao sentimento de pertencimento. Embora a letra trate de uma relação afetiva, a ideia de retorno também permite uma leitura sobre os laços que unem as pessoas às suas origens.

A música pode contribuir para discussões sobre migração, pertencimento, vínculos comunitários e relação com o lugar de origem. Em um tema sobre a saída de nordestinos para outras regiões em busca de trabalho e estudo, por exemplo, pode ajudar a introduzir a dimensão emocional da distância e do retorno.

É importante evitar generalizações: a experiência de migrar é diferente para cada pessoa e pode envolver tanto a saudade quanto novas oportunidades e formas de construir identidade.

7. "Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha

"Pé de moleque, alecrim, canela

Moleque sai daqui, me deixa eu trabalhar

Zé saiu correndo pra feira dos pássaros

E foi passo voando pra todo lugar"

A canção retrata a movimentação de uma feira popular, com comerciantes, produtos e práticas tradicionais. A cena ajuda a registrar aspectos da economia cotidiana e da cultura nordestina, em que as feiras livres desempenham papel importante na circulação de mercadorias e no encontro entre moradores.

Como usar na redação: a música pode ser relacionada a temas como trabalho informal, economia popular, patrimônio cultural e valorização dos saberes tradicionais. Também permite discutir como as práticas econômicas locais contribuem para a renda de pequenos comerciantes e para a preservação de costumes.

A referência pode enriquecer uma redação sobre a importância de reconhecer atividades e conhecimentos que fazem parte da vida das comunidades, mas nem sempre recebem visibilidade.

8. “Súplica Cearense”, de Gordurinha e Nelinho, na interpretação de Luiz Gonzaga

"Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho

Pedi pra chover, mas chover de mansinho

Pra ver se nascia uma planta no chão"

A canção apresenta a súplica de uma pessoa que enfrenta a seca e deseja chuva para que a terra volte a produzir. A letra expressa a vulnerabilidade de quem depende das condições climáticas para viver e trabalhar.

Pode ser utilizada em temas sobre mudanças climáticas, segurança hídrica, desigualdade ambiental e condições de vida no semiárido. A referência permite discutir como eventos climáticos afetam de forma desigual as populações e por que o acesso à água e a infraestrutura são fundamentais para reduzir os impactos da estiagem.

O candidato pode conectar a música a medidas como abastecimento de água, tecnologias de convivência com o semiárido e planejamento público para enfrentar períodos de seca.

9. “Filho do Dono”, de Petrúcio Amorim, na interpretação de Flávio José

"Desigualdade rima com hipocrisia

Não tem verso nem poesia que console um cantador"

Interpretada por Flávio José, a canção apresenta uma crítica a problemas sociais e ambientais, como a desigualdade, a fome, a violência e a degradação da natureza. A letra também questiona a indiferença diante do sofrimento alheio e chama atenção para a responsabilidade de cada pessoa na sociedade.

A música pode ser relacionada a temas como desigualdade social, insegurança alimentar, preservação ambiental, cidadania e responsabilidade coletiva. Em uma proposta sobre a fome no Brasil, por exemplo, o estudante pode usar a canção para introduzir uma reflexão sobre a convivência entre a abundância de recursos e a permanência da pobreza.

A referência também permite discutir como a sociedade reage a problemas que atingem populações vulneráveis. Para fortalecer a argumentação, é importante relacionar a mensagem da música a dados, direitos sociais ou políticas públicas, mostrando que o enfrentamento das desigualdades depende de ações concretas.

10. “Xote Ecológico”, de Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga, na gravação de Falamansa

"Não posso respirar, não posso mais nadar

A terra está morrendo, não dá mais pra plantar

E se plantar não nasce, se nascer não dá

Até pinga da boa é difícil de encontrar"

Composta por Aguinaldo Batista e Luiz Gonzaga, a música “Xote Ecológico” ficou conhecida na voz de Gonzaga, que a gravou em 1989, no álbum Vou Te Matar de Cheiro. Em 2012, a banda Falamansa também regravou a canção no álbum As Sanfonas do Rei: Tributo aos 100 Anos de Luiz Gonzaga.

A letra chama atenção para a degradação ambiental e os impactos da poluição sobre a natureza. Por meio do forró, a composição transforma uma preocupação social em denúncia e convida à reflexão sobre a responsabilidade humana na preservação dos recursos naturais.

A música pode ser relacionada a temas como educação ambiental, poluição, sustentabilidade, mudanças climáticas e responsabilidade socioambiental. Em uma proposta sobre os desafios para preservar o meio ambiente no Brasil, por exemplo, o estudante pode utilizar a canção para introduzir a discussão sobre os danos provocados pela ação humana.

A referência também permite abordar a importância da conscientização ambiental desde a escola e de políticas públicas voltadas à prevenção da poluição e à preservação dos ecossistemas. Para fortalecer o argumento, é importante associar a mensagem da música a informações concretas sobre o problema discutido na proposta.

Como usar o forró como repertório sociocultural no Enem?

As músicas podem ajudar a introduzir um tema, ilustrar um problema ou reforçar um argumento. Para que funcionem como repertório produtivo, porém, precisam estar conectadas à proposta da redação.

  • Explique a referência: não basta citar o nome da música ou reproduzir um verso. Mostre o que a canção revela sobre o assunto.
  • Relacione-a ao tema: escolha uma obra que dialogue diretamente com o problema apresentado pela proposta.
  • Desenvolva o argumento: combine a referência musical com informações históricas, conceitos, dados ou exemplos pertinentes.
  • Valorize a cultura sem estereótipos: a identidade nordestina é diversa e não pode ser resumida à seca, à pobreza ou ao cangaço.
  • Use a música com precisão: diferencie a interpretação artística dos fatos históricos comprovados.

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Gabi Lins

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